• Renata Vasconcellos

Gravidez não é doença. Exercite-se!


Paciente se exercitando com 39 semanas

A gestação é uma fase singular na vida de uma mulher. Durante esse período, ocorrem inúmeras transformações que vão desde alterações fisiológicas até psicológicas. O corpo muda de maneira drástica, dando lugar não apenas à geração de uma nova vida, mas também a um processo de adaptação e reconhecimento de sentimentos, sensações e alterações próprias desta dinâmica. Uma das maneiras de minimizar tantas alterações e gerar um bem estar físico e mental para a gestante é a prática de atividade física moderada e regular.


Em décadas passadas, as gestantes eram aconselhadas a reduzirem suas atividades e interromperem inclusive o trabalho ocupacional, especialmente durante os estágios finais da gestação. Isso porque acreditava-se que o exercício aumentaria o risco de trabalho de parto prematuro por meio de estimulação da atividade uterina.


No entanto, em meados da década de 90, o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) reconheceu que a prática da atividade física regular no período gestacional deveria ser desenvolvida — desde que a gestante apresentasse condições apropriadas — pois atua no controle do ganho de peso durante e após a gestação, especialmente quando o suprimento nutricional está adequado.

BENEFÍCIOS DA PRÁTICA ESPORTIVA DURANTE A GRAVIDEZ

  • Prevenção e redução de lombalgias, dores das mãos, nos pés e estresse cardiovascular;

  • Fortalecimento da musculatura pélvica;

  • Diminuição de edema;

  • Redução de partos prematuros e cesáreas;

  • Maior flexibilidade e tolerância à dor;

  • Controle do ganho de peso e elevação da autoestima da gestante;

  • Aumento do peso do feto;

  • Melhoria da condição nutricional;

  • Redução do estresse cardiovascular;

  • Frequências cardíacas mais baixas;

  • Maior volume sanguíneo em circulação;

  • Maior capacidade de oxigenação;

  • Menor pressão arterial;

  • Prevenção de trombose e varizes;

  • Redução do risco de diabetes gestacional;

  • Contribui para a elevação da autoestima;

  • Maior flexibilidade;

  • Aumento de estrogênio — que contribui para o relaxamento muscular, suavização das cartilagens e elevação do fluído sinovial, resultando no alargamento das articulações e facilitando a passagem do feto.

Ainda não existem recomendações padronizadas de atividade física durante a gestação. No entanto, frente à ausência de complicações obstétricas, é recomendado que a atividade física desenvolvida nesse período tenha por características exercícios de intensidade regular e moderada, com o programa voltado para o período gestacional em que se encontra a mulher, com as atividades centradas nas condições de saúde da gestante, na experiência em praticar exercícios físicos e na demonstração de interesse e necessidade da mesma.

Pesquisas recentes mostraram que gestantes sedentárias apresentam risco 4,5 vezes maior de nascimentos por cesárea do que as gestantes ativas fisicamente, e comprovaram que a atividade física durante a gestação diminui as dores do parto e contribui para que as gestantes fisicamente ativas tolerem melhor o trabalho de parto — principalmente os mais prolongados.

Vale ressaltar que o acompanhamento de profissionais especializados durante a prática de exercícios na gravidez é essencial para monitorar a intensidade do exercício de acordo com os sintomas que a gestante apresentar.

A associação do exercício físico durante a gestação e o aborto espontâneo foi explicada como consequência do tipo de exercício praticado — que apresentava características de intensidade excessiva.

EXERCÍCIOS NÃO RECOMENDADOS PARA GESTANTES

  • Atividades competitivas;

  • Artes marciais;

  • Levantamento de peso;

  • Exercícios com movimentos repentinos ou de saltos, que podem levar a lesão articular;

  • Flexão ou extensão profunda deve ser evitada pois os tecidos conjuntivos já apresentam frouxidão;

  • Exercícios exaustivos e/ou que necessitam de equilíbrio principalmente no terceiro trimestre;

  • Qualquer tipo de jogo com bolas que possam causar trauma abdominal;

  • Pratica de mergulho (condições hiperbáricas levam a risco de embolia fetal quando ocorre a descompressão);

  • Qualquer tipo de ginástica aeróbica, corrida ou atividades em elevada altitude são contraindicadas ou, excepcionalmente aceitas com limitações, dependendo das condições físicas da gestante;

  • Exercícios na posição supino após o terceiro trimestre podem resultar em obstrução do retorno venoso (síndrome da hipotensão supina).

É preciso ter atenção! Alguns sinais ou sintomas representam sinal de perigo de complicações na gestação durante a prática de atividade física e indicam que o exercício deve ser imediatamente interrompido por constituírem grande risco para a saúde tanto da gestante quanto do feto. São eles:

  • Perda de líquido aminiótico;

  • Dor no peito;

  • Sangramento vaginal;

  • Enxaqueca;

  • Dispneia;

  • Edema;

  • Dor nas costas;

  • Náuseas;

  • Dor abdominal;

  • Contrações uterinas;

  • Fraquezas musculares;

  • Tontura;

  • Redução dos movimentos do feto.

O que concluímos é que, quando autorizada pelos médicos, a prática de atividade física regular, moderada, controlada e orientada, produz efeitos benéficos sobre a saúde da gestante e do feto.

Lembre-se: gravidez não é doença! Consulte seu médico, pratique exercícios e curta essa fase da melhor maneira possível.

#Gestante

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