• Renata Vasconcellos

Infravermelho: a famosa “luzinha vermelha” da Fisioterapia


Todo mundo que já foi a um consultório fisioterapêutico, em algum momento ficou parado, recebendo um calorzinho de uma "luzinha vermelha", não é verdade? Trata-se do Infravermelho (IV), um dos nossos recursos de tratamento, juntamente com o Ultra Som (US) e o TENS (neuroestimulação elétrica transcutânea). Esses equipamentos são utilizados de forma complementar aos recursos principais, como a avaliação, as técnicas manuais e os planos de exercícios para a reabilitação.

No entanto, tenho recebido muitos pacientes que já fizeram fisioterapia e acreditam que esses recursos terapêuticos citados acima são as únicas possibilidades de tratamento. Ou seja, muitas pessoas não reconhecem toda a parte manual da fisioterapia e muitos deles já perceberam que ir a uma clínica e ficar em aparelhos não soluciona suas queixas de maneira efetiva.

Obviamente, os recursos terapêuticos têm suas indicações, mas não podemos restringir o atendimento fisioterapêutico apenas a eles. E, em função das dúvidas de vários pacientes, vou explicar melhor aqui sobre um desses recursos especificamente: o infra vermelho (IV). A famosa “luzinha vermelha”.

A radiação infravermelha é um agente térmico superficial usado para alívio da dor e rigidez, para aumentar a mobilidade articular e favorecer a regeneração de lesões de tecidos moles. O IV se enquadra na categoria de termoterapia superficial por conversão de energia elétrica ou sônica em calor.

São consideradas modalidades de calor superficial os que limitam à região cutânea, alcançando a profundidade de 1 a 3 cm, tendo como resposta aquecimento local. Além do IV, a compressa quente, o banho de parafina e o turbilhão também se enquadram nessa categoria de calor superficial, sendo que a compressa e a parafina transmitem calor por condução e o turbilhão por convecção. Ficando então descritas as três formas de transferências de calor: condução, convecção e conversão.

Os efeitos físicos do calor superficial são muitos e vale destacar a elevação da temperatura local superficial, aumento do fluxo sanguíneo para a área aquecida, aumento da drenagem linfática e venosa, hiperemia, vasodilatação das arteríolas e vasos capilares, diminuição do tônus muscular e espasmo muscular.

Seus efeitos terapêuticos são:

  • Alívio da dor - pois provoca o aumento do metabolismo;

  • Variação do limiar da dor nas fases subaguda e crônica, e redução do espasmo muscular;

  • Relaxamento muscular - devido ao aumento da extensibilidade do colágeno e a diminuição da excitabilidade dos fusos musculares;

  • Aceleração do processo de reparo tecidual;

  • Aumento de metabolismo, fluxo sanguíneo, atividade enzimática e processos químicos juntamente com a vasodilatação favorecem a cicatrização e mitose celular.

  • Devido à elevação de temperatura ocorre também o aumento da elasticidade do tecido conjuntivo (extensibilidade do colágeno).

O tratamento com infravermelho é, normalmente, continuado por um período entre 10 e 20 minutos, dependendo do tamanho e vascularidade da parte do corpo, da cronicidade da lesão e da natureza da lesão. É fundamental que o fisioterapeuta esteja atento à distancia do aparelho em relação a pele, ao tempo de duração do tratamento e à coloração da pele do paciente.

Apesar de parecer um tratamento inofensivo, a radiação por IV tem algumas contraindicações:

  • Áreas com sensibilidade térmica cutânea ruim ou deficiente;

  • Pessoas com doença cardiovascular avançada;

  • Área com a circulação periférica local comprometida;

  • Tecido cicatricial ou tecido desvitalizado por radioterapia profunda ou outra radiações ionizantes (que pode estar mais sujeito a queimaduras);

  • Tecido maligno na pele;

  • Pessoa com redução no nível de consciência ou da capacidade de compreensão dos riscos do tratamento;

  • Pessoas com enfermidade febril aguda;

  • Algumas doenças agudas de pele como dermatite ou eczema;

  • Os testículos.

Com esse texto, espero ter esclarecido as duvidas sobre a utilização e os benefícios da famosa “lâmpada vermelha”, tão utilizada nas clínicas de fisioterapia. Mas eu também gostaria de alertar aos pacientes sobre seu uso indiscriminado, salientando que o calor local, assim como outros recursos utilizados pela fisioterapia, deve ser implantado no plano de tratamento de maneira complementar à cinesioterapia, que visa a reabilitação funcional através da realização de movimentos ativos e passivos e tem como objetivo prevenir, eliminar ou diminuir os distúrbios do movimento e função. Se você ainda tiver dúvidas ou — principalmente — dores, agende uma consulta com a gente.


2 comentários

Posts recentes

Ver tudo